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Todas as certezas, todas, parecem-me tão permeáveis que lhes devia dar outro nome. Eu estou certa que amanhã é outro dia, não estando certa. Amanhã o mundo acaba, amanhã eu não acordo, amanhã o dia é exatamente o mesmo dia, com as mesmas “indescobertas”. Ora,...

Cheirava a terra molhada e a mesa vestia-se de linho. A casa, velha, pronunciava-se por ali, naquele lugar de pescadores, misturada com as outras, mas diferente. Às 20h daquele dia, que queria escurecer, os termómetros registavam 29 graus e a Amélia apanhava as gotas que...

O telemóvel da Helena mal tocava. E, quando tocava, o toque parecia-lhe até menos audível. “Antes um vigoroso jovem cheio de testosterona, agora uma mulher no pico da menopausa”, dizia ela. A solidão da Helena persuadia-a a dar vida, ou pouca vida, às coisas que...

Quando nascemos mulheres e temos 34 anos, o mundo passa a comportar-se de forma estranha. Falo do meu mundo, o único que conheço e que a saber, sei muito pouco. Ainda assim, purgar estas matérias, falar-me, é um remédio que não se vende. O mundo passa...

Parei de escrever e isso provoca-me uma angústia imensa. Vou começar assim, com os pontos da situação. E a situação é feita de várias situações, estando eu por isso, neste momento exato, a não saber empalavrar as coisas. Tenho-me lembrado das “palavras impossíveis de escrever”...

Cabeças, braços, tronco, pernas. Cabeças de várias cores, por causa dos cabelos. Ao longe lembram-me fósforos. Apagados. De perto, feios, invariavelmente feios. Transpiramos que nem porcos. Dentes. Uns mais afiados que outros. Uns, mais lavados que outros. E, de novo, ao longe, tal qual baratas,...