espelho meu Tag

O telemóvel da Helena mal tocava. E, quando tocava, o toque parecia-lhe até menos audível. “Antes um vigoroso jovem cheio de testosterona, agora uma mulher no pico da menopausa”, dizia ela. A solidão da Helena persuadia-a a dar vida, ou pouca vida, às coisas que...

Cabeças, braços, tronco, pernas. Cabeças de várias cores, por causa dos cabelos. Ao longe lembram-me fósforos. Apagados. De perto, feios, invariavelmente feios. Transpiramos que nem porcos. Dentes. Uns mais afiados que outros. Uns, mais lavados que outros. E, de novo, ao longe, tal qual baratas,...

Se eu pudesse oferecer, se eu tivesse esse poder, pedia que te injetassem força no coração. Esperança. Pedia que te deslumbrasses com a vida (porque esta coisa do “já não me deslumbro” parece ficar bem, mas é uma grande burrice). Pedia também que soubesses caminhar...

Amanhã é Natal e ontem usava sandálias. Amanhã é Natal e ontem guardava para amanhã o que havia de fazer antes dos brilhos e da lareira com a mesa dos laços de sangue e de embrulho. Já há brilhos por aí. Ergue-se da caixa do sótão,...

Hoje vesti a camisola larga, as calças gastas e os ténis. Saí de cabelo molhado e com a pele que respira. Muitos são os dias que não a deixo respirar. Insegurança. Proteção. Não sei. Um heterónimo que criei que vagueia por aí, enfeitado, erradamente seguro....