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Quando nascemos mulheres e temos 34 anos, o mundo passa a comportar-se de forma estranha. Falo do meu mundo, o único que conheço e que a saber, sei muito pouco. Ainda assim, purgar estas matérias, falar-me, é um remédio que não se vende. O mundo passa...

Se eu pudesse oferecer, se eu tivesse esse poder, pedia que te injetassem força no coração. Esperança. Pedia que te deslumbrasses com a vida (porque esta coisa do “já não me deslumbro” parece ficar bem, mas é uma grande burrice). Pedia também que soubesses caminhar...

Amanhã é Natal e ontem usava sandálias. Amanhã é Natal e ontem guardava para amanhã o que havia de fazer antes dos brilhos e da lareira com a mesa dos laços de sangue e de embrulho. Já há brilhos por aí. Ergue-se da caixa do sótão,...

Hoje vesti a camisola larga, as calças gastas e os ténis. Saí de cabelo molhado e com a pele que respira. Muitos são os dias que não a deixo respirar. Insegurança. Proteção. Não sei. Um heterónimo que criei que vagueia por aí, enfeitado, erradamente seguro....

Queria escrever um poema. Um que perturbasse a alma, por a ter. Por ser frágil desenho alfabético e explosivo inesperado no despertar das lágrimas. No aperto do peito. No calor que sobe do coração pelas veias e esbarra ali, na garganta, na saliva, no pescoço....