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Cheirava a terra molhada e a mesa vestia-se de linho. A casa, velha, pronunciava-se por ali, naquele lugar de pescadores, misturada com as outras, mas diferente. Às 20h daquele dia, que queria escurecer, os termómetros registavam 29 graus e a Amélia apanhava as gotas que...

Cabeças, braços, tronco, pernas. Cabeças de várias cores, por causa dos cabelos. Ao longe lembram-me fósforos. Apagados. De perto, feios, invariavelmente feios. Transpiramos que nem porcos. Dentes. Uns mais afiados que outros. Uns, mais lavados que outros. E, de novo, ao longe, tal qual baratas,...

23h37 * 02.02.2017 Então é isto? Isto sem mais nada, simplesmente isto, só. Com que propósito nascemos? Só para ficarmos grandes? Porque ficamos cá pendurados até as raízes nos percorrerem a cara? É que ficamos até nos doer o corpo, sentados numa cadeirinha à espera do...

Estou atordoada contigo e é visceral. Não sei se alguma vez te perdoo, mesmo que amanhã esqueça tudo. Hoje não te perdoo. Hoje, a esta hora, neste frio, não te perdoo. E devias saber que não se fazem destas coisas que assassinam o coração. Tenho...

Se eu pudesse oferecer, se eu tivesse esse poder, pedia que te injetassem força no coração. Esperança. Pedia que te deslumbrasses com a vida (porque esta coisa do “já não me deslumbro” parece ficar bem, mas é uma grande burrice). Pedia também que soubesses caminhar...

Amanhã é Natal e ontem usava sandálias. Amanhã é Natal e ontem guardava para amanhã o que havia de fazer antes dos brilhos e da lareira com a mesa dos laços de sangue e de embrulho. Já há brilhos por aí. Ergue-se da caixa do sótão,...

Há um segundo que se cala Mas és silêncio que estagna. Preenches o corpo incrédulo. És o estalo que fica. O que dói O que vai doer para sempre. O que não se quer sentir e quer-se, não se querendo. Quer-se, para não se esquecer. Apareceste na socapa. Monstro. Apareceste com a tua filosofia de merda. Monstro. Apareceste com...