Crua

Crua

Queria escrever um poema. Um que perturbasse a alma, por a ter. Por ser frágil desenho alfabético e explosivo inesperado no despertar das lágrimas. No aperto do peito. No calor que sobe do coração pelas veias e esbarra ali, na garganta, na saliva, no pescoço. Na zona desprotegida. Nesse lugar: o estado que nos despe e devora com verdade.

Queria. O poema que nos vê. O poema que nos despe. Queria. O poema que me vê. O poema que me despe. O poema que me tem.

Dar-me. Ler-me. Ver-me na distância precisa. Depois, caminhar, na linha da decisão. Nesse lugar, no borbulhar da emoção.

 

Gabriela Relvas

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