Monstro

Monstro

Há um segundo que se cala
Mas és silêncio que estagna.

Preenches o corpo incrédulo.
És o estalo que fica.
O que dói
O que vai doer para sempre.
O que não se quer sentir e quer-se,
não se querendo.
Quer-se,
para não se esquecer.

Apareceste na socapa.
Monstro.

Apareceste com a tua filosofia de merda.
Monstro.

Apareceste com as tuas bombas de merda.
Monstro.

Roubaste o que não se rouba.
Monstro.
Coisa ruim.
Coisa feia.
Horripilante.
Lixo.

Vidas normais.

Umas melhores que outras.
Umas com mais sonhos que outras.
Umas a aprender a sonhar.
Umas na riqueza do envelhecer.

Eram.
Foram.

As vidas de Paris.
As de Beirute.
As que escorraças com a tua presença medonha da sua própria terra.

Deixa o muçulmano ser
Deixa o católico ser
Deixa-nos com as nossas crenças.
As que têm os normais.

Não há lugar para ti no chão de gente.

Dói.
Mas o silêncio estagnou.

Espera-vos a vida que escolheram,
Essa.
A de toupeiras e bombas relógio
A do cheiro a explosivo.
A de decapitadores de cabeças.

Sintam um dia o que são.
Oxalá.

Ergue-te Paris
Prova que és diferente.

Não sei como nem por onde.
Ergue-te e ensina de outra maneira.

Gabriela Relvas

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2 Comments
  • Guto Carvalho
    Posted at 02:48h, 17 Novembro Responder

    Lindo e profundo.
    Paris erguer-se-á, com o seu querer, com a conjugação de energias positivas, com a nossa vitalidade!
    Gostei do seu poema, porém, a imagem deixou-me uma sensação de angústia. Oxalá seja apenas isso.
    Com.

    • Gabriela_Relvas
      Gabriela_Relvas
      Posted at 22:27h, 17 Novembro Responder

      Muito obrigada pelas suas palavras. A imagem escolhida foi a representação da tristeza que senti com o tamanho massacre. Foi o luto. Mas agora é tempo de positivismo sim! E é com amor que nos erguemos!

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