Foi numa noite normal de janeiro (de 2016) que assisti ao filme Joy. Uma biografia/comédia dramática sobre uma jovem brilhante, divorciada e mãe de 2 filhos, entregue a uma vida madrasta, até inventar um esfregão de limpeza genial. Agora que escrevi isto, pareceu-me a sinopse...

Cheirava a terra molhada e a mesa vestia-se de linho. A casa, velha, pronunciava-se por ali, naquele lugar de pescadores, misturada com as outras, mas diferente. Às 20h daquele dia, que queria escurecer, os termómetros registavam 29 graus e a Amélia apanhava as gotas que...

O telemóvel da Helena mal tocava. E, quando tocava, o toque parecia-lhe até menos audível. “Antes um vigoroso jovem cheio de testosterona, agora uma mulher no pico da menopausa”, dizia ela. A solidão da Helena persuadia-a a dar vida, ou pouca vida, às coisas que...

- Helena? - Hum? - Na cama não se resolvem as coisas… ainda por cima tu não sabes dormir à tarde. Não sabes, lembras-te? - Nem gosto. Se por milagre eu pudesse ver um desejo realizado, sabes o que pedia? - Não Helena. Não sei. Desconhecia que gostavas que...

Meu amor, como te sentes hoje? Conta… como foi o teu acordar esta manhã? Que primeira imagem foi essa que viste quando abriste os olhos? Acordaste com a luz do sol a furar as frinchas da janela? Sabes, sinto que sim. Hoje, aqui no meu quarto, do lugar...

E as ideias não me param na cabeça. Pairam. Perdi o foco. Não me concentro em nada e em tudo me perco. O sorriso não me sai dos olhos, dos lábios, do queixo e das bochechas que se comportam separadamente do meu todo. É como se isto...

E da paixão eles nunca foram. Da paixão, dessa terra abandonada onde quem tinha a sorte e a coragem de entrar era pássaro que assobiava alto. Tratavam-se por “amor”. - Amor. - Meu amor. Miseráveis. O cartão de convite da relação foi negociado logo ali, no primeiro café. - Carro? - Mercedes...

Como se sente o Amor? Como será essa coisa que nos transforma. Dizem-no. Dizem tanta coisa. Eu já não me lembro. Como poderei eu dizer que não me lembro? Mas não me lembro. Como é? Ontem disseram-me, “faz-nos cócegas”. Faz? Faz mais o quê? Cócegas não me...

A Helena queria que ele a impressionasse com palavras. Esperava que a próxima mensagem a fizesse resolver equações cúbicas e quase ficar sem resposta, numa inquietude de quem não se sacia com nada. Ela e ele eram só mensagens. Tudo mensagens. Não se conheciam, muito menos...