Permanece invisível para poder ser o que é. Invisível até para os olhos que lá passam perto. Está ali, longe do mundo com muita gente e não precisa dele. Dramática e inacessível. Inacessível no trato, porque tem uma linguagem que não se ensina. É-se ou...

Amanhã é Natal e ontem usava sandálias. Amanhã é Natal e ontem guardava para amanhã o que havia de fazer antes dos brilhos e da lareira com a mesa dos laços de sangue e de embrulho. Já há brilhos por aí. Ergue-se da caixa do sótão,...

Há um segundo que se cala Mas és silêncio que estagna. Preenches o corpo incrédulo. És o estalo que fica. O que dói O que vai doer para sempre. O que não se quer sentir e quer-se, não se querendo. Quer-se, para não se esquecer. Apareceste na socapa. Monstro. Apareceste com a tua filosofia de merda. Monstro. Apareceste com...

Mudam os tempos, mudam as modas, muda tudo tanto e tão pouco. Inventa-se, acrescenta-se, aprimora-se, piora-se, corrige-se, vai-se ali ao futuro buscar o passado. Vai-se ali aos tempos modernos saber dos tempos que foram. Damos encontrões de cabeça nas conclusões que chegam do antigamente. As...

Hoje vesti a camisola larga, as calças gastas e os ténis. Saí de cabelo molhado e com a pele que respira. Muitos são os dias que não a deixo respirar. Insegurança. Proteção. Não sei. Um heterónimo que criei que vagueia por aí, enfeitado, erradamente seguro....

Queria escrever um poema. Um que perturbasse a alma, por a ter. Por ser frágil desenho alfabético e explosivo inesperado no despertar das lágrimas. No aperto do peito. No calor que sobe do coração pelas veias e esbarra ali, na garganta, na saliva, no pescoço....

Sou do tempo das saias que se apertam na cintura e das rendas que imprimem romance no cruzar de pernas. Venho do tempo do pó de arroz. Aquele que veio com as tranças que se desenham das mais bonitas e delicadas formas num apanhado. E...

Acredito na verdade do agradecer. Acredito e aprendo todos os dias o quanto é bom dizer obrigada. Aprendi a precisar dizê-lo. Olhos nos olhos. De coração para coração. Mesmo para os corações que parecem não ouvir. Acredito em pequenos detalhes. O detalhe do postal que é...

Comecemos por aqui! Está de chuva. E se não está de chuva está branco-cinza carrancudo. Preparemo-nos para o que aí vem, este quadro que parece sujo, quase que pede que lhe puxem o lustro. “Brilha”, dizemos cá para dentro de nós! Pedimos que brilhe amanhã....