CRÓNICAS E DEVANEIOS


IC Espinho-Oriente: Histórias que se escrevem II Desta vez (não sabia ainda eu que podiam acontecer casos de histórias especiais em tão curtos espaços de tempo), o V., a minha nova “personagem”, também à janela. Tenho sempre uma espécie de inveja por quem exibe um lugar...

IC Oriente-Espinho: Escrevo-vos do comboio Sabe-me sempre muito bem ir e digo o ir até lá, ao meu lugar. Ir e ficar um pouco, o suficiente para acalmar a cabeça, o coração, as costas, doem-me mais as costas noutros lugares. Acalmar até as mãos que vão...

Acordar num quarto sem papéis e livros apinhados, sem roupas no armário, sem champôs e cremes na prateleira, sem objetos descriminados nas gavetas, nas cestinhas e mais coisinhas com ares de caixa. Eu então, tenho esta caixinha onde coloco religiosamente os documentos e papéis importantes,...

Apesar da minha forte preferência pelo que me cobre ter esta imagem amarrotada, larga e pelo sapato que me deixa andar sem cara de concentração na calçada (tudo porque seria certo cair muito mais vezes que uma Jennifer Lawrence na passadeira vermelha), ainda não desisti...

A sacana da felicidade está muito longe da ambição e do futuro construído, até porque esse não é nosso! A felicidade é o que temos e não o que não temos. Saber viver na linha da felicidade é isto mesmo, caminhar sem ver a linha....

Lembro-me das muralhas à noite, numa aventura de adolescente fugida de casa. Lembro-me de as caminhar com a adrenalina do medo e da descoberta, com a ânsia de quem quer sentir mais daquilo que se pisa, vê e respira. A inocência de quem acredita ser mais...

Não importa quem és. A depressão afeta milhões e milhões de pessoas. Muitas com tudo para dar certo. Muitas com os sonhos, ali, mesmo à mão de os agarrar com unhas, dentes e o corpo todo. Muitas que não imaginamos viverem nessa prisão feia e...

Se eu pudesse oferecer, se eu tivesse esse poder, pedia que te injetassem força no coração. Esperança. Pedia que te deslumbrasses com a vida (porque esta coisa do “já não me deslumbro” parece ficar bem, mas é uma grande burrice). Pedia também que soubesses caminhar...

Amanhã é Natal e ontem usava sandálias. Amanhã é Natal e ontem guardava para amanhã o que havia de fazer antes dos brilhos e da lareira com a mesa dos laços de sangue e de embrulho. Já há brilhos por aí. Ergue-se da caixa do sótão,...

Hoje vesti a camisola larga, as calças gastas e os ténis. Saí de cabelo molhado e com a pele que respira. Muitos são os dias que não a deixo respirar. Insegurança. Proteção. Não sei. Um heterónimo que criei que vagueia por aí, enfeitado, erradamente seguro....

Queria escrever um poema. Um que perturbasse a alma, por a ter. Por ser frágil desenho alfabético e explosivo inesperado no despertar das lágrimas. No aperto do peito. No calor que sobe do coração pelas veias e esbarra ali, na garganta, na saliva, no pescoço....