CRÓNICAS E DEVANEIOS


Amoras. O bolo era de coco e amoras. Amoras que crescem espontâneas e livres. Apanhei-as com as mãos e uma bacia, em cima do banquinho que servia para chegar a todas as coisas, quatro pés de ferro e um minúsculo quadrado de madeira. Apanhei-as com cuidado....

Cabeças, braços, tronco, pernas. Cabeças de várias cores, por causa dos cabelos. Ao longe lembram-me fósforos. Apagados. De perto, feios, invariavelmente feios. Transpiramos que nem porcos. Dentes. Uns mais afiados que outros. Uns, mais lavados que outros. E, de novo, ao longe, tal qual baratas,...

Cada vez que te viro as costas. Cada vez que te viro as costas, repito, porque é assim que o sinto, feio e doído. Nunca te disse. Porque raio não dizemos o que vai na alma a quem mais nos merece despidos? Afinal, são só...

Vão aparecendo pinceladas deles, os Contra a Corrente, os Vamos Abanar Esta Merda Agora Que Vai Boa (mas não abanam). Andam todos a sair da toca, tão depressa quanto se metem dentro dela. O que me intriga é a necessidade, qual é a necessidade senhores?...

Antes de ti, oh antes de ti… Vieste com a paz, o chão, o céu e as estrelas. Vieste com a vontade de pôr a mesa, comprar a carpete e com a ânsia, antes rara, de ficar em casa. Falo da minha vontade, trouxeste-ma, que não...

Peguei no meu carro depois do que a vida me preparou para aquele dia, peguei nele pela mão, como se nela coubesse e levei-o comigo, eram 19h30. O dia que acabava estava numa aceitação tão perfeita do seu fim que quase beijava o sol de...

Tenho tido uma vontade doida de escrever que não vem. Ou seja, na cabeça tenho uma espécie de vazio de ideias que me causa uma inquietude permanente e depois rompem-me o vazio coisas que não são ideias. Coisas instaladas em nós, no osso que está...

23h37 * 02.02.2017 Então é isto? Isto sem mais nada, simplesmente isto, só. Com que propósito nascemos? Só para ficarmos grandes? Porque ficamos cá pendurados até as raízes nos percorrerem a cara? É que ficamos até nos doer o corpo, sentados numa cadeirinha à espera do...

Estou atordoada contigo e é visceral. Não sei se alguma vez te perdoo, mesmo que amanhã esqueça tudo. Hoje não te perdoo. Hoje, a esta hora, neste frio, não te perdoo. E devias saber que não se fazem destas coisas que assassinam o coração. Tenho...

Tic tac. Ouve-se outra vez o som da mensagem. Quem é? Ela não se pergunta sobre quem é, ela sabe. É ele. Sempre ele. Tic tac. É ele outra vez, sem nada a acrescentar no texto, mas a aparecer, ali onde ela está sem ele (só...

Meu amor, onde estás? Onde existes e por onde caminhas, onde vives a tua vida? Meu amor que falas a minha língua, meu amor que vês o que eu vejo, meu amor que ouves o que eu ouço, vem sem aviso, não anuncies, mas vem....