Sou O Marido Da Mulher Perfeita

Sou O Marido Da Mulher Perfeita

Este assunto faz-me comichão. Arranha-me até a alma. E é a clara em castelo mais batida. Mas estamos burras que nem uma porta, tanto que não conseguimos ver. Pior, acreditamos que atingimos o objetivo.

Sou mulher. Só isso. E já é tanto. Tu, que és homem e és tanto também, estarás na minha boca no próximo breve momento. Não o dedico a todos. Mas a uma boa parte desse todos.

Vamos pegar aqui em alguns exemplos giros:

– cozinhar (com criatividade diária para que não se repita);
– esfregar;
– pôr a máquina a lavar (é mesmo só colocar o produto e carregar no botão);
– estender a roupa;
– apanhar a roupa;
– dobrar a roupa;
– guardar a roupa;
– passar a ferro;
– limpar o pó.

Bastam-me estes. Não vou entrar em pormenores porque teria que ter aqui um teclar frenético que não me apetece agora.

Isto até pode ser tudo muito engraçado. Uma vez. Duas vezes. Sete vezes. No período da paixão (que agora são 2 ou 3 dias). Engraçado para a mulher, claro está. Para o homem não é nem deixa de ser. É adquirido. Então haveria de ser diferente? E lá lhe é pedida uma ajuda e ele diz , “sim meu amor”. Lá vai ele estender as cuecas dele. E ela, orgulhosa, diz de imediato, para o seu interior (e amanhã às amigas): o meu marido ajuda-me em tudo! Cozinha comigo (leva os talheres). Não gostava nada de me ver a arrumar a casa (contratámos uma empregada). Agora já não é comigo que se aborrece quando não encontra as roupas! Esta semana que estive fora ele fez as coisas dele e não precisou de ajuda! E lá continua ela a dizer ao seu interior e às amigas: ele tem um trabalho de grande responsabilidade. Mesmo assim, quando chega a casa diz que me ama e tem um enorme orgulho em mim. Eu sinto. Na profissional que eu sou e na dona de casa que me tornei. “Mulher desenrascada”, diz ele.

E vives tu, mulher, na ilusão de uma partilha de tarefas que não existe. Tu que sais e chegas à mesma hora que ele do trabalho. E agarras logo outro com a sensação que picaste o ponto já tarde. E mesmo que optassem em conjunto por seres dona de casa a tempo inteiro, terias também direito à entrada e saída do posto. Não terias? Ou tens à noite ao teu lado água e bolachinhas para a sede e fome dele na madrugada?

Justificas o teu dolce fare niente dizendo que ela gosta de fazer estas coisas. Sabes bem que arranjaste o argumento para acalmar a culpa. E a verdade é que consegues refastelar-te no sofá! O teu posto à chegada.

Porquê?

É que não tem nada de complicado quando são dois a fazer. Dois é a conta perfeita. Um, pode custar o amor da tua vida.

Não é uma discussão grave pois não?
Mas o que não é grave também cansa.

E quando forem 3? Estás preparada para mais um “emprego” mulher?

*

Amor… o chá está pronto. Queres bolachinhas?

*

*Para ela e para ele. Vocês sabem quem são.*

GR

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3 Comments
  • Diana Sá
    Posted at 12:44h, 30 Abril Responder

    Gostei 😉
    Bem… só mudaria uma parte!
    Eu sou feminista. 🙂

    Parabéns pelo teu blog, está muito bem concebido , no meu ver!
    Parabéns mais uma vez…
    🙂

    • Gabriela Relvas
      Gabriela Relvas
      Posted at 15:42h, 03 Maio Responder

      Diana, que bom! Muito obrigada pelo feedback!

    • Gabriela_Relvas
      Gabriela_Relvas
      Posted at 22:17h, 23 Agosto Responder

      Essa parte já está resolvida. 🙂

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